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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Noel, Noel!

Não queria terminar o ano sem dar um "alô" por aqui. Afinal, a convite da Arminda - querida, querida -, eu também cogito! E achei fenomenal a ideia de termos esse espaço para trocarmos impressões de nossas trilhas pelo mundo. O mundo da educação escolar, mas, também, o da educação cotidiana.

Vi a foto da Marina, essa fofura de bailarina, e encontrei o mote para entrar nesse papo. Porque é fato: as crianças sempre nos trazem o sentido do Natal. Aquele, de base. No turbilhão da vida adulta e com os sobrinhos mais novos já tendo completado uma década de vida, eu tinha tomado um pouco de distância do que era isso. Esse Natal, com Nina super-presente, teve sabor de infância. Troca, magia, encantamento, partilha, afeto.

Há três semanas, ela passeia pela cidade chamando o seu amigo Noel. Assim mesmo: Noel, com toda a intimidade. Começou como Papai, mas esse, parece, é só o Ricardo. Passou pra vovô, mas também não colou. Rapidamente, virou Noel. Festeja todos os que vê pela frente e guardou um lugar para ele no carro, à sua esquerda, atrás da mamãe - que, teimosa, continuou deixando a bolsa no banco, até que ela jogou para o chão, para ver se o Noel se encorajava a entrar.

À meia noite do dia 24, na casa da avó, roadeada de uma família barulhenta, ela bateu palmas no aniversário de Jesus. Não sabe bem quem é, mas gostou do neném junto com a mamãe e o papai dele. Movimento com afeto, muito bom. Ficou acordada até a madrugada, no meio da farra, tocando o piano que herdou da Bubu e chamando um bocado de gente para tocar com ela, cada um a seu turno. Se embaralhou no meio das pernas das pessoas e achou aquilo tudo muito legal. Ela não gosta de muita gente em cima dela. Mas gosta de muita gente. Aliás, gosta muito de gente. E, sobretudo, de muito afeto.

Nina não pediu presente ao Noel. Ela é muito pequena, o mundo não a convenceu de consumir ainda, e nós não quisemos dar esse sentido ao Natal. Levamos a pequena para ver o velhinho em um monte de lugares: nos shoppings, nas casas das pessoas, nas praças. Na Praça do Papa, aliás, ela enlouqueceu quando ele veio descendo as escadas após o Presépio Cantado. Acenava e gritava: "- Noel, sou a Nina!" Três vezes foi, três vezes amou. Ela curtiu muito, muito mesmo a presença dessa figura por esses dias. Ele virou um amigo.

E foi com esse sentimento de amizade que Nina nos educou, a mim e ao pai dela, na manhã do dia 25 de dezembro. Quando acordou, nós contamos que o Noel tinha passado lá em casa e deixado uma coisa para ela debaixo da árvore de Natal. A pequena correu para a sala e olhou para a árvore. O presente estava lá, mas ela passou direto. Foi até a porta, bateu com as costas das mãos - como a madrinha ensinou - e gritou lá pra fora, aflita: "- Noel, Noel... sou a Nina!"

Ricardo e eu trocamos um olhar entre encantado e envergonhado. A Nina aprendeu, mais do que nós, a lição que demos. Não era o presente que importava aquela manhã. Era a presença dele, do amigo. Era, talvez, ele aceitar o convite para sentar ao lado dela no carro e reconhecer "a Nina". Eram o encontro, a amizade, a troca, o afeto.

E a gente entendeu Guimarães Rosa: "Mestre é aquele que, de repente, aprende".

Feliz Natal, em todos os dias de 2011, pra todos. E obrigada, Arminda, por nos dar de presente esse espaço de cogitar. Logo, existir.

6 comentários:

  1. Que fofo esse texto! Amei e me emocionei.

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  2. Dinda, leitura fantástica! Como disse a Dani, li e me emocionei. Acompanhar a pequena crescer e ver a evolução de vocês, pais, é muito gostoso. Cada momento é único! Amo vocês!

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  3. Que emocionante Miriam!!!
    ..um beijo especial para a "grande" mestra estrelinha: NINA!!!
    Um carinhoso 2011 para a sua família!

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  4. Se eu tivesse lido isso antes do Natal, ele (o natal) teria mais sentido pra mim. Lindo!

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  5. Caros, obrigada pelo carinho. Aprender no dia a dia, com a filhota, tem sido uma experiência de educação ímpar mesmo. Dessas que muda o sentido de tudo o mais. Inclusive a visão sobre a educação escolar. É uma alegria compartilhar esse pedaço da vida com vocês. Abraços e o desejo de um ano de paz.

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